SUCESSO: VOCÊ É CAPAZ!

Sejamos objetivos: por que algumas pessoas fazem tanto sucesso e outras não? Esta, com certeza, é a primeira questão que se impõe ao nosso raciocínio toda vez que nos dispomos a pensar sobre o assunto. Como agora, por exemplo.

A constatação das evidentes diferenças nos “resultados de vida” das pessoas leva-nos, naturalmente, a procurar explicações lógicas para os porquês dessa ocorrência. É claro que deve haver um porquê lógico, explicável à luz da ciência, já que todas as coisas têm que ter uma explicação lógica. Isso é uma exigência da inteligência. Até mesmo aquelas aparentemente “só” explicáveis à luz da fé.

Nota: Santo Agostinho costumava dizer que a fé é tão-somente a razão que independe de argumentos. E isto, por princípio, dá conteúdo lógico à fé.

Uma coisa, contudo, é fato: algumas pessoas evidenciam mais sucesso do que outras, que, apesar de reconhecida competência e esforços continuados, jamais alcançam resultados expressivos em seus ofícios. Repare que uso a expressão evidenciam ao invés de fazem pois que o sucesso é fundamentalmente uma questão de ótica, como veremos a seguir. E é justamente por isso que, quando se trata de pensar em sucesso, costumamos recorrer muito mais às evidências do que aos fundamentos.

Na realidade, desde pequenos somos condicionados a associar a idéia de sucesso à imagem de exuberância exposta pelas pessoas ricas e famosas. E é essa exuberância que se apresenta ao nosso juízo como parâmetro inicial para toda e qualquer reflexão. Há como que um vínculo mental que nos arremete para as imagens de riqueza, de pompa e de felicidade sempre que pensamos no assunto. Assim, quando perguntamos “por que algumas pessoas fazem tanto sucesso e outras não”, no fundo, estamos só questionando “por que algumas pessoas conseguem ganhar tanto dinheiro e outras não?” Esta “associação” é inevitável. Portanto, para uma reflexão mais organizada sobre este tema precisamos  inicialmente pôr em ordem alguns pensamentos. Precisamos “arranjar” um novo conceito que defina o sucesso em termos mais lúcidos e mais sensatos. Precisamos descobrir novas “associações”. Vamos tentar?

 

As velhas crenças

Observe os dois quadros abaixo e responda qual deles reproduz com mais propriedade a imagem que você tem de sucesso:

1º quadro:

Iate – Las Vegas  – BMW – Champagne – Bahamas

Ouro – Ópera – Dólar – Galeria de arte – Paris

2º quadro:

Corcel II – Paquetá – Mortadela – Bijuteria – Cerveja

Lanchonete – Diadema – Ônibus – SUS – Piquenique

 

É claro que ninguém vai responder que é o segundo. A imagem de sucesso que temos gravada em nossa mente está, como já disse, associada à riqueza, ao luxo, à excelente qualidade de vida etc. Assim, não há como dar seqüência a qualquer reflexão sem  pôr essa imagem em julgamento.

Então, a primeira questão de ordem que se impõe é a seguinte reflexão:

Se a imagem de sucesso deve estar associada à imagem de riqueza, todas as pessoas ricas devem ser vistas como pessoas de sucesso.

Ora, esta afirmação nos conduz a outra conseqüente:

Se a imagem de sucesso deve estar associada à imagem de riqueza, nenhum indivíduo pobre deve ser visto como uma pessoa de sucesso.

Ao admitirmos uma destas afirmações, admitimos a outra por extensão. Neste caso, sucesso seria apenas um mero sinônimo para riqueza e assim teríamos concluído nosso pensamento. Ocorre, entretanto, que uma outra linha de raciocínio também se apresenta para reflexão:

Se considerarmos sucesso como sinônimo de riqueza, somos obrigados a afirmar que Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Louis Pasteur ou Albert Einstein não foram pessoas de sucesso.

Ora, admitir esta afirmação é o mesmo que banalizar as biografias dessas pessoas reconhecidamente talentosas, idôneas, e que à custa de muito esforço e determinação legaram “conteúdo digno” à humanidade.

Porém, se entendemos que sucesso é mais do que um mero sinônimo de riqueza, podemos fazer  novas associações que nos conduzam à conclusões mais consistentes. Por exemplo: poderíamos associar o sucesso à fama ou notoriedade. Mas será que fama e notoriedade traduzem, verdadeiramente, o sucesso?

Al Capone foi uma pessoa famosa. O “Bandido da Luz Vermelha” também. Podemos então afirmar que a notoriedade é própria do sucesso? Se dissermos sim estaremos afirmando que ambos foram homens de sucesso. E será que podemos entender suas biografias como exemplos dignos de registro?

Portanto, se a fama fosse conseqüência natural do sucesso estaríamos admitindo que:

Quem não é famoso não faz sucesso.

E, por extensão:

Só as  pessoas de sucesso são famosas.

Admitindo uma destas afirmações, admitimos a outra. Porém, em ambos os casos estaremos relegando a uma condição subalterna, por exemplo, os milhares de cientistas que neste exato momento estão envolvidos em pesquisas da maior importância para o futuro da humanidade. Eles não são famosos. Pelo menos ainda.

Ora, se nem riqueza nem notoriedade são necessariamente conseqüências do sucesso, que outra evidência poderia caracterizá-lo? Afinal de contas, precisamos encontrar alguma coisa que o caracterize para que possamos então chegar até às causas.

Duas outras linhas de raciocínio, então, nos levam à novas reflexões. A primeira é a que aponta para o trabalho como fonte de sucesso. Quem já não ouviu alguém justificando o seu sucesso no trabalho? As “pessoas públicas”, de um modo geral, costumam usar muito este argumento. Mas será que realmente o trabalho conduz ao sucesso, da forma como o imaginamos?

Quem de nós não conhece alguém, às vezes dentro da própria família, que se dedicou por trinta anos ou mais ao seu ofício, com dedicação, assiduidade, competência e honradez , e agora, na velhice, sujeita-se às migalhas de uma aposentadoria injusta e perversa que mal dá para o seu sustento? Se o trabalho conduzisse ao sucesso (tal como muitos justificam) certamente haveria muito pouca gente nas filas do SUS e nos balcões da Previdência. Concordam comigo?

A segunda aponta para a competência. Mas será que a competência, por si só, basta para patrocinar o sucesso de algum profissional? Quantos de nós, da mesma forma como no caso anterior, não conhece profissionais competentíssimos vivendo bem próximo da indigência?

Todo este intróito dialético tem o propósito de mostrar ao leitor como as nossas velhas crenças associam a imagem de sucesso à imagens que não são naturalmente dependentes nem conseqüentes da daquela. Esse erro de fundamento é que, muitas vezes, torna ineficazes os programas organizados com tal pretensão.

Podemos, entretanto, partir de um outro raciocínio. Vamos tomar como exemplo duas pessoas de quem temos uma imagem de sucesso indiscutível: Ayrton Senna e Gandhi.

Cremos que nenhum leitor há de contestar a afirmação de que tanto Ayrton Senna quanto Ganhi foram homens de muito sucesso. Ambos tiveram uma proposta de vida definida, ambos se tornaram competentes para executar suas propostas, ambos perseguiram seus ideais e ambos conseguiram reconhecimento universal.

Reparem – e é importante esta observação – que nem um nem outro construíram suas imagens a partir do nada ou a partir de um bem-elaborado projeto de marketing. Ambos construíram suas imagens aos poucos, acumulando “vitórias pessoais”.

Ayrton Senna, por exemplo, não foi guindado à Fórmula 1 por acaso. Ele começou bem jovem correndo de Kart em São Paulo. E foram suas conquistas nas categorias inferiores que, aos poucos, alavancaram a sua carreira. Quando chegou à Fórmula 1, Senna já tinha uma história de vitórias pessoais. Já era um “homem de sucesso”, apesar de desconhecido para a maioria dos brasileiros.

Gandhi, por sua vez, não libertou o seu país do jugo britânico de repente ou por acaso. A liberdade que ele conseguiu para o seu povo foi resultado de toda uma história de lutas e vitórias anteriores. A vitória do dia 15 de agosto de 1947  – data em que se oficializou a libertação da Índia – foi apenas mais uma delas.

A Índia conseguiu sua independência como Gandhi sempre preconizara que haveria de ser: sem a menor violência com os ingleses, que não saiam expulsos e inimigos, mas por sua própria vontade, convencidos pela força da verdade e do sacrifício dos indianos. E isso só foi possível graças à referência que esse povo tinha do seu líder; ele, com sua enorme inteligência sustentada  por um caráter íntegro e imaculado, havia conquistado o respeito e a admiração até mesmo dos próprios ingleses.


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